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Boa Noite!  Domingo, 5 de Setembro de 2010

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Por: LEILA NAVARRO
Publicado em: 18/05/2010

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Líder de sua própria vida

Por que será que, em todo o mundo, quanto mais se sobe na hierarquia corporativa, mais rarefeita é a população feminina? Por que será que no Brasil, por exemplo, as mulheres representam 50% da força de trabalho em geral, 35% do quadro funcional das empresas, 28% dos profissionais com nível de supervisão e 9% dos com nível de direção*?

Já identifiquei quatro modalidades de resposta a essas perguntas: a desatualizada, a conservadora, a progressista e a inconformista.

Comecemos pela resposta desatualizada: "Mulher tem menos competência que o homem". Chamo essa resposta de desatualizada porque, francamente, só quem continua com a cabeça no começo do século passado, quando a mulher começou a luta por seus direitos, pode dizer uma coisa dessas. A presença das mulheres em praticamente todas as profissões existentes e o brilho com que muitas delas exercem suas funções mostra que competência não é um fator determinado pelo gênero, mas uma qualidade do indivíduo. A realidade mostra que tanto o homem como a mulher podem ser competentes.

Existe a resposta conservadora, que é: "O preconceito impede a ascensão da mulher no mercado de trabalho". Não nego que esse preconceito exista. Já inventaram até uma expressão para denominá-lo no mundo corporativo, "teto de vidro", ou seja, barreiras invisíveis na cultura das empresas que mantêm a mulher longe dos cargos com responsabilidade direta pelas operações. Mas por que chamo essa resposta de conservadora? Porque alegar que há "tetos de vidro" sobre as cabeças femininas não as leva a lugar algum. Há um certo conservadorismo em dizer "é o preconceito e não tem jeito" e tudo continuar como está.

Existe a resposta progressista: "Algumas atitudes da mulher sabotam sua ascensão". Ainda é um pouco raro ouvir essa resposta, mas pelo menos as mulheres já começam a despertar para comportamentos culturalmente herdados que atrapalham sua ascensão na carreira e desenvolver seu potencial para o sucesso.

Recentemente prefaceei a edição brasileira do livro de uma coach americana chamada Louise Frankel. Título do livro: Mulheres Ousadas Chegam Mais Longe. A autora lista nada menos que 101 erros que as mulheres cometem, a maioria deles inconscientemente, transmitindo uma imagem pouco favorável para sua candidatura à alta liderança nas empresas. Trabalhar pelos outros, por exemplo: a mulher tem a mania de achar que se não fizer certas coisas ninguém mais fará, então se mata de trabalhar e não cuida de outros aspectos importantes para a carreira. Só tem um detalhe: quem ganha promoções é quem apresenta o trabalho pronto, não necessariamente quem faz o trabalho. Outra coisa que a prejudica é sua dificuldade em fazer ou falar coisas que possam ferir os sentimentos dos outros. O nível de tolerância feminino às vezes é tão elástico que ela chega a encobrir as falhas alheias. Pois assim são muitas mulheres, que com freqüência priorizam as necessidades alheias em detrimento das suas, recusam-se a participar do jogo político das empresas, são compreensivas demais, solícitas demais...

Reconhecer essa situação é um grande avanço, e por isso chamei a resposta de progressista. Aqui há uma perspectiva de mudança, mas uma mudança que parte da própria mulher. Na medida em que ela identifica os comportamentos que a atrapalham na carreira, poderá transformá-los e atravessar o malfadado teto de vidro, que aliás é em parte sustentado por esses mesmos comportamentos...

Existe, por fim, a resposta inconformista: "A mulher não aceita sacrificar sua qualidade de vida por um alto cargo nas empresas". Se para chegar ao olimpo corporativo é trabalhar 12, 14, 16 horas por dia, como faz a maioria dos executivos, algumas repensam suas prioridades e procuram meios de conciliar as demandas do trabalho com vida afetiva, tempo para os filhos, para o lazer e para ela mesma. Há as que brecam a trajetória profissional por vontade própria, há as que saem da arena corporativa para realizar um trabalho autônomo ou empreender um negócio, situação em que podem ser mais donas de seu tempo.

O interessante sobre essas respostas é que elas de certa forma reproduzem a trajetória feminina no mundo do trabalho. Houve um tempo em que a mulher era excluída desse mundo e suas competências nem eram conhecidas, quanto mais reconhecidas. Num segundo momento, ocupou espaço no mercado e conquistou posições nunca antes sonhadas, mesmo tendo de enfrentar o preconceito. Agora desperta para ajustes de comportamento, vai em busca do que lhe falta, sai do papel de vítima e assume a responsabilidade pelo seu sucesso. Por fim, se achar que o investimento na carreira não é compatível com o que deseja para sua vida como um todo, muda de planos, de empresa, de atividade. Acima de tudo, a liderança que realmente interessa para a mulher é sobre a própria vida.

*Segundo a pesquisa "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas"- Instituto Ethos, 2003


LEILA NAVARRO
CONSULTOR
leila@leilanavarro.com.br

Palestrante comportamental, Fisioterapeuta de formação, Especialista no Comportamento Humano e em Medicina Comportamental pela Escola Paulista de Medicina, empresária, autora, e Presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Capital Humano (IPEDESCH). Graças à repercussão de seu trabalho no Brasil, feito com competência, conteúdo, irreverência, e motivação, Leila Navarro se consagrou também fora do país. Suas palestras já foram apresentadas no Chile, Peru, Uruguai, Portugal, Espanha, Panamá e Japão.


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